09 abril 2011

Eutrópia Leite Perazzo (Dona Tofinha)



Um dos grandes propósitos da criação deste blog é a intenção de resgatar todos aqueles que fizeram e fazem parte da Família Perazzo.
Entre eles, aqueles que contribuíram das mais diversas formas para com o crescimento seja individual dos membros ou seja com o crescimento de todo o clã familiar.
Entre as pessoas que mais ajudaram a família foi a querida Dona Tofinha, pessoa de grande espiritualidade e firmeza de suas ações. Uma grande Mãe, uma grande avó, uma grande bisavó, uma grande tia, filha, irmã. Enfim, uma pessoa que deixou um legado para aqueles que conviveram com ela, fato demonstrado em suas atitudes e gestos. Em vista disso, Valdir Perazzo, seu primo, redigiu algumas palavras em forma de depoimento e homenagem in memorian da encantadora Dona Tofinha, como era conhecida por todos.

DONA TOFINHA
Valdir Perazzo

Tomei conhecimento da morte de Dona Tofinha, em e-mail que recebi de sua neta, Sandra Perazzo. Seu depoimento me inspirou a externar a emoção que já vinha sentindo desde que fui informado de sua grave doença, por minha irmã, Vilma Perazzo. Dona Tofinha era como uma preceptora para toda a minha família. Portanto, são inúmeras as lembranças agradáveis de que dela trago comigo. Entretanto, meu depoimento não será de tristeza. O filósofo Sêneca, em seu festejado livro “Aprendendo a Viver”, diz que: “...uma grande parte daqueles que amamos, embora nos sejam tirados, permanece conosco. Precisamos ter a certeza na alma de que seguiremos aqueles que perdemos”.
Dona Tofinha e eu temos a mesma origem. Somos da mesma cepa. Pelo lado paterno descendia da família Leite. Era neta de Fillipe Pedro de Souza Leite, de quem eu sou bisneto. Seu pai, Adelino de Souza Leite, era irmão do meu avô, Argemiro de Souza Leite. Nosso ancestral remoto comum é o casal Pedro Leite Ferreira e Isabel Gomes de Almeida, de origem portuguesa, que viera da Bahia para a ribeira de Piancó, em 1755, e fixara residência no lugar denominado Tapera, à margem direita do Rio Genipapo, no Estado da Paraíba, cuja descendência ramificou-se pelo Sertão do Pajéu, em Pernambuco.
Pelo lado materno, Tofinha era de linhagem italiana – Antonio Perazzo, seu avô e meu bisavô, era oriundo de San Giovanni A Piro, província de Salerno, no Sul da Itália. Ele se casou em Afogados da Ingazeira, Estado de Pernambuco, em 30 agosto de 1885, com Amélia Leopoldina de Almeida Pedroza, moça de família portuguesa, integrante do patriciado rural sertanejo, sendo a filha menor Antoniela Perazzo Leite, mãe de Tofinha e minha tia-avó por parte de mãe.
Carrego a influência benéfica de Dona Tofinha até no nome. Ainda criança, manifestei curiosidade à minha mãe em saber como o tinha escolhido. Revelou-me que fora sua prima, Tofinha, quem sugerira. Na vida adulta, por volta dos vinte anos, fui à Tabira sacar uma segunda via de minha certidão de batismo. Para minha surpresa, soube que fora batizado com outro prenome. Recusei-me em receber o documento sem que nele estivesse grafado o nome com o qual já me identificava. Terminei por obter o certificado na forma como tinha a convicção de que havia sido batizado. Reafirmou-se a sugestão de Tofinha, rebatizando-me.
Em 1983 me graduei em Direito. Pouco tempo depois, em uma das vezes que fui à Tuparetama, como de costume, fui visitar minha prima Tofinha. Um dos temas da conversa foi o meu futuro profissional. Mais uma vez, com o seu espírito solidário, evidenciou as circunstâncias favoráveis que me levaram a migrar para Porto Velho, Estado de Rondônia. Aí dei início a uma carreira jurídica, nela me realizando. Foi graças à sugestão de Tofinha que me encontro na Amazônia por mais de uma vintena de anos.
Nas renovadas vezes em que visitava Tofinha, quando de férias em Tuparetama, sempre a encontrava de bom ânimo. Era uma pessoa “prá cima”. Não tenho dúvidas de que isso se devia à sua vida espiritual. Tinha com freqüência um livro devocional em suas mãos. Disso dou testemunho! A liderança espiritual que Tofinha exerceu sobre os parentes mais próximos, e à qual sua neta Sandra Perazzo se refere, muito se parece com a liderança espiritual que sua prima e minha tia Maria Leite exerceu sobre mim. Dessa influência benéfica fui amplamente favorecido.
As grandes religiões são concordes em afirmar a coragem como grande virtude. Enfáticas, dizem: “A coroa da vitória é somente para aquele que se mostra digno de usá-la”. Não destoa a filosofia, quando proclama: “...o mal não provém do que te acontece, mas sim de tua indignação e de tuas reclamações”. Tofinha teve longa vida. Enfrentou as adversidades da existência sem queixa. Em todas as ocasiões em que com ela interagi, nunca a encontrei pessimista ou com qualquer outra manifestação de desalento para com os problemas que a todos afligem. A coragem foi sua grande virtude.
Charles Webster Leadbeater, que foi bispo da Igreja Católica Liberal e destacado autor de livros sobre Teosofia, em “O QUE HÁ ALÉM DA MORTE”, citando “O Canto Celeste”, de Edwin Arnold, dá-nos profundo alento da eternidade da alma:

“Nunca o espírito nasceu,
nem cessará de ser;
Jamais deixou de existir;
Sonhos são o começo e o fim!
Sempiternamente permanece o espírito
Inascível, imortal e imutável.
Em nada o afeta a morte,
Embora pareça morta a sua morada!”

Abraços a todos,

Álvaro Monteiro Perazzo

Um comentário:

  1. Fátima, gostaria muito falar com Vilma perazzo. estou em s. paulo, fone. 011.5584-9971 ou 8773-9599 tim, Fátima koike.

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